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Ovários policísticos aumentam a predisposição à obesidade e diabetes

Disfunção conhecida como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), em casos mais avançados, pode levar à diabetes e doenças cardiovasculares. Mais de 10% das mulheres em idade reprodutiva apresentam o problema

Nem todas as mulheres costumam ficar atentas às alterações no seu ciclo menstrual, que podem atrasar ou até falhar, mas sintomas como o aumento de pelos no corpo, cabelo e pele oleosos, acne , escurecimento da pele nos locais de dobra conhecido como “acantose nigricans” e dificuldade para engravidar orientam no diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), que geralmente se manifesta na adolescência e pode levar à obesidade e até ao diabetes.

A disfunção já afeta mais de 10% das mulheres em idade reprodutiva no País e é causada por distúrbios hormonais onde o mais marcante é o aumento dos hormônios androgênicos (masculinizantes) e da síndrome de resistência à insulina.

De acordo com o endocrinologista Ivan Cesar Correia de Sousa, dos hospitais Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Hospital Vitória e do Hospital de Beneficência Portuguesa, em Santos, o diagnóstico depende de duas esferas, já que a síndrome pode ocorrer sem que o exame de ultrassonografia revele cistos nos ovários.

“A SOP afeta o metabolismo da mulher de duas maneiras. A primeira é na esfera hormonal, onde há um desequilíbrio entre os hormônios sexuais masculinos e femininos. A segunda é a esfera da glicose e das gorduras no sangue, associada a resistência à insulina, obesidade, elevação do colesterol e triglicerídeos, diabetes, aterosclerose e doença cardiovascular. Também é maior a incidência de câncer de útero (endométrio) e de distúrbios do humor, como depressão”, explica o especialista.

“A SOP tem como componente da síndrome a obesidade, mas a obesidade não leva por si só à síndrome”, explica o especialista, que ainda faz um alerta: “o excesso de gordura agrava o problema por aumentar a resistência à insulina”.

O endocrinologista afirma que a síndrome tem aumentado nos últimos anos. Segundo ele, a obesidade pode ser a causa do maior aparecimento da SOP já que atualmente já é considerada epidêmica, além da exposição a algumas substâncias que podem alterar o comportamento das glândulas, como os poluentes ambientais.

“Este distúrbio é grave já que pode evoluir de fato para o diabetes e todas as suas consequências, sendo que as mais marcantes, neste caso, são as complicações cardiovasculares”, ressalta.

Tratamento
No tratamento desta síndrome a modificação do estilo de vida é essencial, já que a perda de peso é fundamental para a reversão do quadro, mesmo sem o uso de medicações em muitos casos. Para isso, o endocrinologista explica que é necessário aumentar a atividade física, no dia a dia, e modificar a dieta com redução das calorias, da gordura e dos açúcares simples.

Já em relação às medicações, uma das preconizadas hoje em dia é a metformina, medicação comumente utilizada no tratamento de diabetes, que ajuda a regular a glicemia e corrigir os níveis elevados de insulina, inclusive na perda de peso, mas, além disso, tem efeito benéfico para a redução das acnes e da pele oleosa, dos pelos em excesso, e também regula os ciclos menstruais, chegando a normalizar a ovulação. Muitos pacientes, pouco tempo depois de iniciarem o tratamento com a metformina, conseguem engravidar.

Por fim, os anticoncepcionais também podem ser utilizados nos casos mais específicos ou que se mostrem resistentes ao tratamento apenas com a metformina. “Outras medicações complementares poderão ser usadas para induzir ovulação, reduzir os pelos e a acne, assim como a redução do colesterol”, acrescenta.

Dr. Ivan Cesar Correia de Sousa
Formado em 1976 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), com Residência em Clínica Médica pela UFF. Possui especialização em Endocrinologia e Metabologia, Medicina Intensiva e Nutrição Parenteral e Enteral. Pós-Graduação em Neurointensivismo pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês. É membro das Sociedades Brasileiras de Endocrinologia e Metabologia, de Diabetes, de Nutrição Parenteral e Enteral e da ESPEN – The European Society for Clinical Nutrition and Metabolism. Médico do Corpo Clínico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e do Instituto Santista de Oncologia (ISO) e do Hospital da Beneficência Portuguesa, em Santos.

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